Pix e TIPS: BC e BCE avaliam conectar pagamentos instantâneos
O BC e o Banco Central Europeu iniciaram a avaliação de viabilidade de conectar o Pix ao TIPS, sistema europeu de pagamentos instantâneos. Ainda não há prazo definido.

O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram, em 24 de setembro de 2026, a fase de avaliação da viabilidade de conectar o Pix ao TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), a infraestrutura europeia de liquidação instantânea. O estudo conjunto vai analisar aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio, segundo a Agência Gov, que tratou do tema em 29 de setembro com informações do BC.
Uma avaliação, não uma decisão
Ainda não há integração aprovada. De acordo com a Agência Gov, o material divulgado não traz prazo para o fim do estudo, custos envolvidos nem data prevista de operação. Em nota de 24 de setembro, o BC afirmou, segundo o Finsiders Brasil, que a iniciativa faz parte da agenda evolutiva do Pix e que interligações desse tipo podem reduzir custos e aumentar a velocidade e a transparência das transações entre países.
Gilneu Francisco Astolfi Vivan, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, disse que o estudo aproxima duas infraestruturas públicas de referência e que a meta é tornar os pagamentos transfronteiriços mais rápidos e acessíveis. A Agência Gov também associa a iniciativa ao acordo entre Mercosul e União Europeia e ao plano de ação do G20 para pagamentos entre países.
Os números dos dois lados
O Pix processa cerca de 250 milhões de transações por dia, com liquidação em tempo real em moeda de banco central, e é usado por cerca de 190 milhões de pessoas físicas e empresas, conforme o Finsiders. O TIPS opera hoje com euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa. O BCE informou que o sistema europeu está conectado, ou em processo de conexão, com o Nexus Global Payments, com o UPI da Índia e com a infraestrutura instantânea da Suíça.
O que poderia mudar e quais os obstáculos
Se a conexão se mostrar viável, remessas e compras internacionais poderiam chegar na moeda local do destinatário em poucos segundos, com possível redução de custos, segundo a Agência Gov. O Finsiders lembra que mais de 80 países já têm sistemas de pagamentos instantâneos, mas eles não se conectam entre si.
Especialistas ouvidos pelo Finsiders apontam dificuldades. Fernanda Garibaldi, diretora-executiva da Zetta, avalia que o desafio é mais regulatório do que tecnológico. Walter Pereira, sócio-fundador da W Fintechs, destaca o desafio cambial e de liquidez: uma operação direta entre real e rupia, por exemplo, pode ser menos líquida e mais cara do que uma que passe pelo dólar. Para ele, os primeiros efeitos devem aparecer em pagamentos de turistas e remessas, e o maior impacto, no comércio exterior entre empresas.
Fontes: Agência Gov, 29/09/2026; Finsiders Brasil, 07/10/2026.