Malga: fintech de orquestração de pagamentos, rodadas e números
Conheça a Malga, fintech de orquestração de pagamentos antes chamada Plug: como funciona, rodadas, investidores, compra da Drip e números de volume.

A Malga é uma fintech brasileira de infraestrutura e orquestração de pagamentos para empresas digitais. Em vez de processar pagamentos por conta própria, ela conecta o negócio a vários adquirentes, antifraudes e meios de pagamento por meio de uma única integração, e decide, a cada transação, qual caminho tem mais chance de aprovar a venda. Criada em 2020 com outro nome, a empresa chegou a 2026 com rodada Série A, uma aquisição no crédito e meta de dobrar volume e receita. Veja a história, o funcionamento e os números da Malga, com base em reportagens da imprensa especializada.
Da Plug à Malga: a origem da fintech
A empresa nasceu em 2020, durante a pandemia, com o nome Plug. A proposta era funcionar como um marketplace de meios de pagamento, no qual o cliente podia trocar de fornecedor quando precisasse. Em fevereiro de 2023, segundo o portal Startups, a Plug passou a se chamar Malga, nome derivado de "amálgama", a liga metálica que une elementos. À época, o CEO Alex Vilhena disse que a mudança buscava fortalecer a marca no Brasil e levar a operação à América Latina, começando pelo Chile.
O trio de fundadores reúne passagens por outras empresas de tecnologia e pagamentos: Alex Vilhena (CEO, com passagem pela Braintree, do PayPal), Thiago Garuti (COO) e Marcel Nicolay (CTO, ex-Zoop e ex-Gympass), conforme reportagens do Startups e da Bloomberg Línea. A empresa passou pelo programa de aceleração Y Combinator, nos Estados Unidos.
O que a Malga faz: orquestração de pagamentos
Quem vende pela internet depende de adquirentes, subadquirentes, bancos e sistemas antifraude. Cada um tem suas taxas, suas regras de aprovação e sua própria integração técnica. A orquestração é a camada que fica no meio e organiza tudo isso. Segundo o Brazil Journal, o cliente da Malga cria fluxos para escolher quais adquirentes processam seus pagamentos, por exemplo pelas menores taxas ou pela maior taxa de aprovação, e a plataforma também pode decidir sozinha. Se o primeiro processador recusar a transação, ela segue para o segundo, depois para o terceiro, e assim por diante.
No site da empresa, a Malga informa que conecta mais de 25 provedores com uma única integração, e lista entre os recursos o roteamento automático de cada pagamento, a nova tentativa em outro provedor quando uma transação falha, a detecção de fraude em tempo real, a tokenização de cartões e um painel para acompanhar pagamentos e motivos de recusa. Também aparecem serviços como gateway, checkout white label e split de pagamentos, a divisão do valor entre os participantes de uma venda. Em maio de 2025, segundo o Startups, a empresa lançou o que chamou de "split agnóstico", que permite fazer repasses sem depender de um único provedor.
O problema que a empresa diz resolver é a venda perdida. Segundo Vilhena, ouvido pelo Brazil Journal, uma em cada quatro compras no e-commerce brasileiro é negada, enquanto em países desenvolvidos o índice fica abaixo de 5%. Parte das recusas é fraude, mas ele aponta excesso de cautela em muitas negativas de compras legítimas. Para conhecer outros nomes do setor, veja nossa lista das maiores fintechs de pagamento do Brasil.
Rodadas de investimento e investidores
A trajetória de captação, segundo as reportagens consultadas, foi a seguinte:
- Seed: US$ 2,7 milhões no fim de 2021, liderada pela Costanoa Ventures, com QED, Verve Capital, Latitud e Norte Ventures, além da participação da Y Combinator, que, segundo o Startups, ficou com 7% da empresa. Em 2022, houve uma extensão da rodada, também liderada pela Costanoa.
- Série A: R$ 32 milhões, anunciada em fevereiro de 2025 e liderada pela CV iDEXO, braço de corporate venture da Totvs, e pela Costanoa. Entraram Ignia e Gaingels, e acompanharam a rodada QED, Norte Ventures e Y Combinator, segundo o Brazil Journal.
Vilhena classificou a Série A como uma rodada modesta e disse que a empresa poderia ter captado mais, mas preferiu manter a operação eficiente, segundo o Startups. Sobre a relação com a Totvs, o próprio executivo afirmou, em maio de 2025, que ela é de investidora e "smart money", sem nada além disso.
A compra da Drip e a entrada no crédito
Em dezembro de 2024, a Malga fez sua primeira aquisição: comprou a Drip, startup de Pix Parcelado. O valor não foi divulgado. De acordo com a Bloomberg Línea, a operação usou caixa da Malga e troca de participação societária, e os fundadores da Drip, Patrick McDougall Sterea e Paulo Albuquerque, deixaram o negócio, assim como os investidores da startup. Seis pessoas do time original ficaram, e a marca Drip foi mantida por enquanto.
A Drip oferecia compras parceladas sem juros pelo Pix em mais de 500 varejistas, com mais de 30 mil usuários e crédito médio entre R$ 600 e R$ 1.000, segundo a mesma reportagem. Para a Malga, o negócio abre caminho para o crédito ao consumidor final dentro de sua plataforma. Vilhena descreveu a compra como uma semente para novos produtos de crédito, e o Finsiders Brasil registrou que ele vê o Pix Parcelado como resposta a transações de cartão recusadas por falta de saldo. Em fevereiro de 2025, ele disse ao Brazil Journal que a empresa não pretende ser um banco por ora.
Números da Malga
Os números abaixo foram informados pela própria empresa à imprensa e não passaram por auditoria independente:
- Faturamento: quintuplicou em 2023 e triplicou em 2024, segundo o Brazil Journal.
- Volume transacionado (TPV): R$ 4 bilhões em 2024, quase o triplo do ano anterior. A Bloomberg Línea cita R$ 5 bilhões anualizados com dados de novembro.
- Projeção de 2025: cerca de R$ 15 bilhões, de acordo com o Startups, em reportagem de 28 de novembro de 2025.
- Resultados para clientes: redução de custos de até 90% no Pix, 50% nos boletos e 40% no cartão de crédito, queda de 20% nas transações negadas e cerca de R$ 170 milhões em vendas recuperadas, segundo a empresa.
- Clientes e equipe: cerca de 70 clientes, entre eles Petlove, Privalia e Ingresse, e um time que passaria de 42 pessoas, no fim de 2024, para 60 em 2025, segundo o Startups.
Próximos passos: foco em plataformas B2B
Para 2026, a Malga pretende dobrar receita e volume, segundo o Startups. O foco passa a ser as plataformas B2B, como empresas de software (SaaS), ERPs, fintechs e bancos digitais, que querem oferecer pagamentos aos próprios clientes. Segundo a reportagem, a empresa também planeja investir em evoluções do Pix e em novas formas de monetizar o volume transacionado. O mercado ainda é jovem: segundo o COO Thiago Garuti, citado pelo Startups em maio de 2025, 85% das empresas que processam pagamentos ainda não usam uma solução de orquestração.
Vale lembrar que metas de crescimento e projeções de volume são estimativas da própria empresa e podem não se confirmar. Para acompanhar outras novidades do setor, veja também nosso guia sobre BaaS, o banking as a service.
Fontes: Finsiders Brasil (17/12/2024), Bloomberg Línea (16/12/2024), Brazil Journal (25/02/2025), Startups (07/02/2023, 27/05/2025 e 28/11/2025) e site da Malga.
Fontes: finsidersbrasil.com.br, bloomberglinea.com.br, braziljournal.com, startups.com.br, startups.com.br, startups.com.br, malga.io