Pix Automático dobra operações e movimenta R$ 3,5 bi no 2º tri
Pix Automático movimentou R$ 3,5 bilhões em 9,5 milhões de transações no 2º trimestre de 2026, e as operações mais que dobraram, segundo dados do Banco Central.

O Pix Automático, ferramenta do Banco Central para cobranças recorrentes, movimentou R$ 3,5 bilhões em 9,5 milhões de transações no segundo trimestre de 2026. Os dados constam das Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões do primeiro semestre, divulgadas pelo BC na terça-feira (27). Segundo o Finsiders Brasil, o número de operações mais que dobrou em relação ao primeiro trimestre, e o volume financeiro cresceu cerca de 52%.
O que é e quem já usa
Lançado em junho de 2025, o Pix Automático atende a cobranças que se repetem, como contas de consumo, assinaturas, streaming, mensalidades escolares e de academia. A proposta é substituir o débito direto, que depende de acordos bilaterais entre empresas e bancos. De acordo com o Finsiders, Amazon, Globoplay, Grupo OLX, Disney+, Netflix, Vivo, Cemig e Equatorial Energia estão entre as empresas que adotaram o produto. Em agosto, o BC informou que o número de recebedores subiu de cerca de mil, no fim de 2025, para 14 mil.
Adesão ainda pede adaptações
Márcia Vicari, chefe da divisão de Gestão do Pix no BC, afirmou no Febraban Tech 2026, conforme o Finsiders, que o produto segue em processo de testes e que o BC mapeia melhorias. Ela lembrou que, para quem recebe, a adesão exige ajustes na API do Pix, e definiu o recurso como "um produto cuja adesão é diferenciada". A fintech de pagamentos Adyen, segundo o mesmo veículo, apontou barreiras em autorizações e em ciclos de cobrança e disse ter levado propostas ao regulador para ampliar o uso.
O Pix no semestre
Considerando todo o Pix, o BC calculou que o instrumento respondeu por 55,2% das transações de pagamentos de varejo no primeiro semestre de 2026, com alta de 19,4% na quantidade frente ao ano anterior. Em volume financeiro, a fatia foi de 28,1%, segundo lugar entre os instrumentos, atrás da TED, que manteve a maior participação, com 32,7%.
Os cartões, somados, ficaram com 30,8% da quantidade de transações, e o cartão de crédito teve a maior expansão em volume, de 13,8%. O débito direto, que o Pix Automático pretende substituir, também avançou: cresceu 11,3% em valor e representou 2,1% do volume total.
O recorte mostra um produto ainda pequeno diante do Pix tradicional, mas em ritmo acelerado de crescimento, enquanto o BC e as empresas do setor trabalham para reduzir os obstáculos de adoção.
Fontes: Finsiders Brasil, "Pix Automático dobra operações e movimenta R$ 3,5 bi no 2T26" (28/10/2026); Banco Central, "BC divulga Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões do primeiro semestre de 2026" (27/10/2026), via Poder360.