Digimais, banco de Edir Macedo: prejuízo, Basileia negativa e os riscos da venda
Banco ligado a Edir Macedo tem prejuízo de R$ 581,4 milhões, Basileia de -4,62%, investigação da PF e venda ao BTG indefinida. Veja os riscos e cenários.

O Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, virou um dos casos mais acompanhados do sistema financeiro em 2026. A instituição soma prejuízo, capital abaixo do mínimo exigido, uma investigação da Polícia Federal e uma venda que ainda depende de vários aprovadores. Este texto reúne o que foi noticiado até agora e os cenários que o mercado discute.
Quem é o Digimais
O banco nasceu em 1968 em Porto Alegre, como Banco Renner, e adotou o nome Digimais em 2020, ao migrar para o formato digital. Segundo a imprensa, o controle está com Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, e sua esposa, Ester Bezerra, desde 2013.
Os números do primeiro semestre
De acordo com balanço divulgado em setembro, o Digimais teve prejuízo líquido de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre de 2026, ante lucro de R$ 42,1 milhões no mesmo período de 2025. O índice de Basileia, que mede a solidez do capital, caiu de 18,56% em junho de 2025 para -4,62% em junho de 2026. O mínimo regulatório é de 8%, e com o colchão de conservação chega a 10,5%. Em junho, o banco tinha R$ 9,85 bilhões em ativos, R$ 8,692 bilhões em depósitos de clientes e patrimônio líquido de R$ 330,9 milhões. As demonstrações de 2025 tiveram ressalvas dos auditores sobre R$ 4,234 bilhões em fundos de investimento e operações com partes relacionadas.
A investigação da Polícia Federal
Em 23 de junho de 2026, a PF deflagrou a Operação Miragem, com nove mandados de busca em São Paulo, e a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões de investigados. A PF apura suspeita de gestão fraudulenta e de manipulação de registros para aparentar solvência perante o regulador. Edir Macedo é apontado como alvo, mas mora no exterior e não foi alvo de busca. Reportagens compararam o método ao do caso Banco Master. Investigado não é condenado: a apuração está em andamento, e não localizamos manifestação do banco ou da defesa nas fontes consultadas.
A venda e onde ela pode travar
O BTG Pactual assinou documentos vinculantes em abril de 2026 para comprar o controle, mas o negócio depende de processo competitivo, do Banco Central, do Cade e da participação do FGC. Segundo relatos, o interesse do BTG esfriou após a operação da PF. O Safra acessou os dados do banco, e seis instituições avaliaram os números, o que, porém, não significa negócio fechado.
O ponto central é o FGC. Os depósitos garantidos somam cerca de R$ 7 bilhões, e a venda depende de uma engenharia financeira em que o fundo aceite dividir parte da diferença entre o preço e as obrigações. Há também a notícia de aporte de R$ 1,5 bilhão do controlador, e o banco teria mais de R$ 2 bilhões em caixa e potencial de R$ 3 bilhões em créditos tributários.
Cenários em discussão
Se a venda não avançar e o capital continuar negativo, o Banco Central pode adotar medidas de regime especial, como intervenção ou liquidação, e o FGC passaria a pagar depositantes até o limite da cobertura. Se o FGC e um comprador fecharem acordo, o banco troca de controle com o custo dividido. São cenários de mercado, não decisões anunciadas. Quem tem CDB no Digimais deve acompanhar comunicados oficiais e conhecer o limite de cobertura do FGC.
Fontes: Gazeta do Povo, Capital Aberto, Revista Oeste, Economic News Brasil e Jornal Grande Bahia. Texto produzido pela redação do Fintechs.com.br com apoio de IA. Não é recomendação de investimento.