Fiscal ruim encarece o dinheiro para bancos e fintechs e limita o crédito, dizem economistas
No Inter Invest Summit, economistas ligaram o desequilíbrio fiscal a juros elevados, famílias endividadas e menos espaço para bancos e fintechs ampliarem o crédito.

A situação das contas públicas voltou ao centro do debate do mercado financeiro. No Inter Invest Summit 2026, realizado na Arena MRV, em Belo Horizonte, economistas ouvidos pelo Finsiders argumentaram que o desequilíbrio fiscal mantém o custo do dinheiro alto e limita a capacidade de bancos e fintechs de expandir o crédito.
O Orçamento tem pouca margem
Segundo Gustavo Sung, sócio e economista-chefe da Suno Research, cerca de 40% do Orçamento federal vai para aposentadorias e 20% para salários e benefícios de servidores. Outros 20% têm destino obrigatório em fundos e programas sociais. Do total de aproximadamente R$ 2 trilhões, sobram cerca de R$ 200 bilhões, e de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões desse valor são emendas parlamentares. Na prática, o governo teria perto de R$ 150 bilhões para usar livremente.
O envelhecimento da população tende a pressionar ainda mais essa conta: a projeção apresentada é que o gasto com aposentadorias suba de 40% para 50% do Orçamento, além de demandar mais recursos para a saúde pública.
Do fiscal ao juro
O raciocínio dos participantes é encadeado. Como os gastos federais seguem regras de reajuste constitucional, são difíceis de controlar. Quando o governo gasta mais, o Banco Central tende a subir os juros para conter a inflação. Juros altos, por sua vez, encarecem a captação de recursos de bancos e fintechs e reduzem o apetite por crédito. A carga tributária, de cerca de 34% do PIB, também foi citada como limite para novas receitas.
Christopher Garman, diretor executivo para as Américas do Eurasia Group, lembrou que os juros elevados nos Estados Unidos reduzem o fluxo de investimentos para mercados emergentes, o que agrava o quadro para o Brasil.
Efeito nas famílias e nas empresas
O reflexo aparece no bolso: cerca de 28% da renda disponível das famílias vai para o pagamento de dívidas, e 80% das famílias brasileiras estão endividadas. Para as instituições financeiras, isso significa maior risco de inadimplência e mais dificuldade para ampliar carteiras. Os palestrantes também apontaram o aumento no número de empresas em recuperação judicial.
Segundo Sung, a taxa de juros ficou insustentável, e algum ajuste virá após a eleição. Até lá, o cenário é de cautela para quem depende de crédito para crescer.
Fonte: Finsiders. Texto produzido pela redação do Fintechs.com.br a partir de informações publicadas pelo veículo.