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Meios de Pagamento

Novos adquirentes: a briga vai esquentar

Redação Pagamento.me

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O momento no Brasil não é bom. Crise política e econômica em plenitude e milhares de negócios ruindo na indústria, comércio e serviços. Mas por incrível que seja, o segmento financeiro é sólido o suficiente para segurar as pontas na crise e ainda assim, se beneficiar ainda mais de um momento com esse. Se pegarmos os 20 maiores lucros de empresas brasileiras desse último trimestre, divulgado na Exame, nove empresas (do segmento financeiro) compõe o índice. BB, Itau (líder), Bradesco, Banrisul, BMF&Bovespa, BTG (sic), BB Seguradora, Santander e Cielo, fazem quase 50% do time que mais lucrou no Brasil no terceiro trimestre de 2015. Parte disso, e desse lucro, pertence a uma literal importante nos balanços: cartões e adquirência.

Só a Cielo, décima segunda colocada, lucrou R$877,46 milhões nesse período. Não é para qualquer um, ter um número desse. E esse final de 2015, e o começo de 2016, devem trazer ainda mais emoções para a empresa que acaba de mudar de sede (em Alphaville-SP) e deve virar o ano com um número ainda superior. Mas não só para a Cielo, mas para todos adquirentes do mercado, o mar deve dar uma mexida brevemente. Mas por quê?

PagSeguro, o novo adquirente?

O ano de 2016 deverá começar emocionante para o mercado de cartões. De tanto ensaio e previsões, o PagSeguro deve entrar de cabeça como uma operadora de cartões para brigar de frente com Rede, Elavon, Global Payments, Vero, Bin, Stone e é claro, Cielo. Fundada em 2007, após uma aquisição do Uol, o Pagseguro nasceu como BRPay, que no mesmo ano mudou de nome para cair no gosto dos consumidores.

A BRPay foi fundada em Janeiro de 2006, e em Junho do mesmo ano atingiu 1000 clientes, através de um programa de afiliados. Na época apenas a Locaweb, Pagamento Digital (Tray) e a falecida Sendep faziam facilitação no Brasil. O mercado era virgem.

Ilustração BrPay – 2006

brpay

O nome “forte” com segurança no sufixo, inaugurou uma nova forma do brasileiro ver a compra online. Como citado no artigo “The Brazilian Paypal” no Fintech Brazil, o PagSeguro é realmente o Paypal brasileiro, só que aqui com mais força e dominância do que o próprio benchmarking.

O PagSeguro é bem grande, tanto que somando a maioria dos adquirentes presentes, a empresa ainda assim, consegue obter mais presença. E isso incomoda Cielo, Rede e todos adquirentes que dão suporte para que a empresa, possa concluir sua maior atribuição: sub-adquirência de milhares de pequenos lojistas que confiam diariamente em seu sistema de pagamento. Por que preocupa? A virada da chave de sub-adquirência para adquirência. O PagSeguro é parte importante do volume financeiro transacionado por Cielo e cia. Não é de se espantar a preocupação e cautela por conta desse evento. Além disso tem o fator “velocidade”, questão primordial para ganhar mercado. E isso o PagSeguro tem no DNA. E tem a “Moderninha” que é por si só uma grande sacada.

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A Moderninha do PagSeguro pode incomodar ainda mais. (Foto: PagSeguro)

A estratégia da empresa em ser um facilitador desde o início, parece ter um fim bem promissor, virando um dos pilares da cadeia de crescimento. O PagSeguro vai se tornar com certeza, o terceiro ou quarto player brasileiro, atrás de Cielo, Rede e Getnet somente. E vai incomodar pelo motivo simples de ter uma capacidade enorme de distribuição. Por ter tido foco no pequeno desde então, o PagSeguro teve que resolver dezenas de problemas como credenciamento, soluções de captura, análise de fraudes e tecnologia, para atender um empreendedor sem infraestrutura, que fazem dela, uma potente máquina de transações financeiras.

Pelo que se sabe, Cielo ultrapassa o número de 50 mil credenciamentos mensais entre POS, TEF e-Commerce, já a Getnet chega perto dos 15 mil credenciamentos/mês, e com a velocidade de crescimento do PagSeguro, pode-se acreditar que o número de crescimento já se assemelhe aos adquirente líderes. E tem também a estratégia de pré-pagos, que a empresa já domina bem, onde recebe apoio da Acesso Card.

Quem pode vir também?

Com a nova regulamentação, abrindo caminhos para quem sabe fazer o jogo (e quem tem dinheiro), novos projetos para adquirentes podem surgir. Os mais prováveis são: Moip, Adyen, Banco Safra (se não adquirir a Elavon Brasil) e World Pay (que fortalece papel mundial pós IPO).

O Moip, segundo maior sub-adquirente do país, vem forte em estratégias verticalizadas como e-commerce, marketplaces e na comunidade de desenvolvedores brasileiros. Será natural pensar, que a entrada do PagSeguro pode empurrar a empresa para o ciclo natural de start. Com mais de 35 mil lojas usando suas soluções, o Banco Central aceitaria a entrada do Moip com o suporte de um banco. Já tem tamanho e volume para tal.

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Daniel, Igor e Leonardo (MOIP). Da universidade para o incômodo dos grandes. (Foto: PEGN)

Esse também é o sonho da Adyen. A empresa holandesa, ensaiou bastante com parcerias como a que fez com a Getnet. E de fato, o dinheiro da General Atlantic para fortalecer a empresa globalmente, fazem dela uma “viking” pronta para processar pagamentos como adquirente. E tem a World Pay que comprou a CobreBem, e entrou como um gateway no país. Mas… No quadro abaixo da Dez maiores processadoras de pagamento (em transações) do mundo, elaborado pela Nilson Report, o papel e relevância da World Pay por exemplo, é sinal que a abertura de capital pode trazer novos rumos para empresa no Brasil.

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Dez maiores processadoras de cartão em transações. Fonte: WSJ

O Banco Safra, que sempre namorou estrear um adquirente pode acelerar isso comprando a operação da Elavon no Brasil, criando seu próprio processador ou simplesmente deixando de lado mais uma vez. Outros possíveis candidatos são gateways independentes (sem adquirentes por trás) com expertise para tal. Se pegarmos o case da Stone, que sabia fazer pagamentos ponta a ponta (e tinha fundadores de gateways de pagamento), já dá para visualizar como a cabeça de caras que criaram soluções de pagamento, podem ser arrojadas o suficiente para sacarem da abertura do mercado.

Sem contar novos entrantes (estrangeiros) que têm sacola funda de dinheiro para brincar nesse segmento.

Fontes: Nilson Report, WSJ, Exame

 

O ponto de encontro das fintechs e revolução financeira no país.