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Meios de Pagamento

Por que as fintechs serão compradas pelos bancos?

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Se até ontem os bancos tinham reinado exclusivos em seu ramo, hoje esse cenário começa a mudar. Muitos brasileiros já começaram a buscar por alternativas mais simples e viáveis fora do sistema financeiro tradicional, como as oferecidas pelas fintechs (as startups de serviços financeiros).

E essas startups (algumas delas empresas já consolidadas) já estão começando a preocupar os bancos em todo o mundo, inclusive em termos financeiros –  segundo a Goldman Sachs, é bem possível que os bancos venham a perder até US$ 4,7 trilhões anualmente para as fintechs, e isso é só o começo. Toda consultoria que analisa esse fenômeno, afirma que os bancos precisarão “comprar” a inovação para não morrerem.

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Bancos e Fintechs vão começar a se relacionar como parceiros complementares e sócios.

Mas, o que está provocando esse grande interesse pelas fintechs no Brasil e no mundo?

Tempo

Ninguém hoje tem tempo a perder. A vida corre a passos largos e cada um de nós mal tem tempo de cuidar do básico. Por isso, muita gente tem dor de cabeça só de pensar em ir ao banco, e enfrentar longas filas mesmo que seja só para conversar com o gerente. Ainda que os bancos tenham melhorado e muito nesse sentido nos últimos anos, oferecendo diversos serviços via internet e mobile banking, ainda há muito a ser feito nesse sentido, principalmente no Brasil.

Já as fintechs costumam ser empresas quase que totalmente virtuais, com as quais você pode resolver tudo o que precisa sem jamais ter sequer que falar com alguém. O BankFácil, por exemplo, facilita empréstimos tomando carros ou imóveis como garantia, e analisa tudo online. Simples assim.

Atendimento

Imagine ter que ir ao banco para pedir dinheiro emprestado seja para pagar dívidas ou para investir em um negócio. A situação por si só já é estressante e constrangedora, independente da quantia em questão. O Nubank, startup de maior expressão no Brasil, é talvez a maior referência em atendimento do país. Há relatos diversos de tipos diferentes de atendimento como resoluções de problemas por mensagens, bom humor e uso da tecnologia como forma de aproximar as relações com clientes.

Infelizmente, a menos que você seja um cliente com uma alta soma depositada no banco, o atendimento ao cliente ainda é muito precário no sistema bancário de um modo geral. A demanda é muito maior do que o número de funcionários disponíveis, e pouco pode ser feito online ou mesmo por telefone. E isso fica muito mais complicado ainda quando o cenário vem agregado ao preenchimento de inúmeros formulários, a perguntas intermináveis, e a horas em pé.  Fica claro então porque muitos muitas iniciativas como o da Broota, que aproxima online investidores e startups de forma muito prática, estão surgindo no país.

Inovação

As fintechs saem na frente junto ao público que ama tenologia, oferecendo uma experiência mais alinhada com as expectativas e perfil destes. Elas também costumam oferecer produtos e serviços mais baratos, já que seus custos ficam muito menores ao não terem os gastos fixos de manutenção de uma agência bancária, por exemplo.

O público entre 18 e 30 anos, principalmente, costuma preferir serviços que tragam tecnologia de ponta como bandeira. Eles têm o smartphone entre seus melhores amigos, e sentem-se muito mais à vontade conversando com uma atendente virtual do que com o gerente do banco. Prova disso é a fila de espera do Nubank: mais de 100 mil pessoas aguardam por uma oportunidade de ter esse cartão de crédito no bolso. Diante desse cenário, bancos começam a reagir. O Citibank, por exemplo, lançou a sua unidade Citi FinTech, focada em serviços para smartphones e serviços financeiros. Mas isso é só a ponta do iceberg.

Por que as fintechs serão compradas pelos bancos?

O radar das fintechs brasileiras elaborado pela Clay Innovation no ano passado, deu o tom: estamos numa ruptura. O jogo vai mudar. Bitcoins, empréstimos peer-to-peer, crowdfunding são palavras que não existiam no cotidiano dos grandes bancos brasileiros. Agora são pauta e objeto de estudo. O Banco BBVA, criou o fundo BBAVentures e virá ao Brasil olhar de perto o efervescente nascimento de startups de finanças e tecnologia. Nesse vôo virão executivos ávidos por olhar e entender porquê o Brasil é de fato, um laboratório interessante para tecnologia bancária. Juntamente com eles, o Santander e a Mastercard vão capitanear na América Latina o Santander Labs, outro laboratório de inovação focado em meios de pagamento. Qual o sinal aqui?

“Chegou a hora de ficar perto delas”, afirmam os bancos.

Nem de longe startups podem ameaçar individualmente a hegemonia bancária, ainda mais se tratando de potências como Itau, Bradesco, Santander e BB. Mas e um exército delas?

A inovação é capaz de atropelar sim, qualquer economia e qualquer tipo de realidade que se apresente numa estrutura burocrática. Foi assim com o MP3, que ruiu a indústria fonográfica e o com o streaming de filmes, que “enterrou a pá e cal”, a Blockbuster em 2013. Se analisarmos, os 50 milhões de clientes da Blockbuster, por exemplo, não sumiram. Eles simplesmente mudaram o hábito e a forma de consumo. É exatamente isso que os bancos estão estudando: mudança na forma das pessoas se relacionarem com serviços financeiros. As novas gerações irão ao banco para abrir uma conta?

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O Nubank, de David Vélez (na foto), já formou um exército de fãs para consolidar a marca. (Foto: Reprodução Istoé)

A (des)construção do mercado bancário pelas fintechs

Os bancos brasileiros ensinaram bem. A gente tem um dos melhores sistemas bancários do mundo, se tratando de tecnologia. Nosso internet banking é melhor que em muitos países desenvolvidos.

O Nubank, para alguns banqueiros pode parecer um simples aplicativo para gerenciar o cartão de crédito Mastercard. Até o momento em que começarem a abrir contas através desse mesmo aplicativo, onde usuários poderão transferir dinheiro, fazer depósitos e comprar produtos bancários. Aí a fintech passa a virar banco e incomodar. Quantas agências bancárias são necessárias para se abrir 100 mil contas correntes hoje em dia?

Os sinais

O GuiaBolso, aplicativo que conecta em poucos cliques todas as contas bancárias e cartões de crédito do usuário, sabe mais do perfil de consumo desse usuário, do que o próprio banco, individualmente. Quem pode analisar crédito de verdade, tendo o perfil de gasto de toda vida bancária do cliente, seja qual banco for? São perguntas que ainda não temos a resposta mas já temos a sinalização que o momento é de grande ruptura tecnológica. A BTCJam, do brasileiro Celso Pitta, concede empréstimos em bitcoins aqui no país, com juros mais baratos do que os bancos de varejo.

Os bancos também ainda não sabem do porquê, que os clientes da Vindi, plataforma de pagamento focada em serviços, passam 4 horas do dia usando o sistema da fintech e apenas 15 minutos no site do banco.

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Na Vindi (por trás dos códigos), todos os bancos e adquirentes estão dentro do mesmo sistema. Reprodução (Vindi)

Plataformas como Catarse e a própria Broota citada acima, estão desviando positivamente, o pequeno empreendedor das mesas dos gerentes de banco, onde solicitavam empréstimos para levantar um negócio, para plataformas colaborativas de captação de investimento. No Catarse, quem financia é o fã do projeto. O projeto da Vela Bikes, foi viabilizado pelos fãs, não por bancos tradicionais.

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Qual seria a reação do gerente de conta, ao receber uma empresa sem faturamento pedindo dinheiro para viabilizar a Vela Bikes? Foto: Reprodução: Catarse.

Os sinais já estão virando concretizações. No ano passado, a plataforma Escolher Seguro, uma espécie de vitrine virtual de seguros, foi adquirida pela Geração Futuro, do Banco Brasil Plural. Você leu corretamente: “um banco foi lá e comprou.”

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Comprar inovação é mais prático do que construir em casa? Segundo a Geração Futuro, sim. (Foto: Reprodução Valor)

Emprestar dinheiro, vender seguro, realizar pagamentos, analisar crédito entre outras funções financeiras básicas, não são mais exclusividade dos bancos. Esse princípio também é levado a sério pela Magnetis, uma consultoria que personaliza de forma tecnológica, os investimentos pessoais em uma carteira. Mais uma vez, o gerente do banco e a instituição levam um “bypass”, no quesito consultoria. Pra que Anbima, se o algoritimo combinado sugere qual melhor opção para o investidor?

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A Magnetis combina tecnologia aplicada a dados, para ser o personal manager do investidor. (Foto: Blog Magnetis)

Embora o Brasil ainda esbarre na regulamentação e nas leis bancárias no país, que são de fato rígidas nesse assunto, a inovação é rápida demais para burocracia. A velocidade de mudança de rota e criação de novas plataformas vai empurrar os próprios órgãos regulamentadores contra a parede. Estamos caminhando cada vez mais para o momento em que quem vai ditar as regras serão os consumidores. Se já não estão ditando…Lá fora, em mercados mais prontos para esse tipo de disrupção, os bancos já compram startups de tecnologia, especialmente as fintechs. 

De longe, nós imaginarmos que bancos como Santander, Itau e Bradesco podem desaparecer por conta das fintechs, mas só não vão, porque eles vão começar a comprá-las em breve.

 

 

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Fintech Chargify adquire plataforma de reconhecimento de venda

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A fintech americana Chargify adquiriu na semana passada a ProRata, uma startup que ajuda em relatórios de reconhecimento de receita e análise de faturamento.

A ProRata, fundada em 2014, em Atlanta, é uma empresa que ajuda na conciliação de receitas provenientes de empresas com modelos recorrentes. Esse é o casamento perfeito para empresas de software no mercado americano, que depois de mudanças na lei de impostos por lá, o reconhecimento e comprovação de receita se tornou grande desafio. Desde 2017, para estarem em acordo com a receita federal americana (IRS), as empresas precisam estar aderentes com as normas ASC 606, que regulamenta a questão fiscal de empresas de tecnologia.

A união das soluções Chargify + ProRata pode ser muito bem comparadas por aqui no Brasil, como cobrança + conciliação dos recebíveis (que sistemas de conciliação fazem).

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Pagamentos recorrentes vão atingir R$1,8 trilhões em 2021.

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Chegou a hora da Economia da Recorrência, segundo relatório de consultoria americana Research and Markets.

O relatório, publicado nessa semana, prevê que as transações recorrentes, processadas em cartões de débito e crédito nos Estados Unidos, atingirão U$ 473 bilhões até 2021. Cerca de R$1,8 trilhões! Uma transação de cartão recorrente é aquela em que as credenciais de pagamento são armazenadas com um comerciante/provedor para uso futuro. Isso existe para permitir pagamentos recorrentes de faturas, facilidade no checkout rápido em um site/app ou pagar por uma assinatura, planos e mensalidades.

O relatório, nomeado de “Mercado Americano de Pagamentos Recorrentes 2017-2021”, prevê uma aceleração nesse tipo de processamento para os próximos anos.

Só a Amazon, processou cerca de U$7 bilhões de cobranças recorrentes do seu Amazon Prime, serviço de assinatura exclusivo da empresa. E isso é um dos principais ativos da empresa, que espera crescer 50% no serviço no próximo ano. Esse tipo de solução de cobrança (também chamado de pagamentos recorrentes) é essencial para serviços como software (SaaS), serviços de streaming, clubes de assinatura e toda empresa que possui um modelo de cobrança recorrente na venda. Apesar do relatório ser um grande instrumento para analisar mercado americano, dá um bom gosto do que podemos ver em outros mercados.

A Economia da Recorrência na mira de Wall Street

No nosso estudo “A economia que transformou empresas como Netflix, Slack, Smartfit e Sem Parar” (clique para ler), fizemos bastante pesquisas para analisar essa realidade das empresas SaaS e assinaturas no mundo e no Brasil. Esse estudo até aqui, é o maior já feito sobre a Economia da Recorrência no mundo.

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Relatório da Vindi contempla dados exclusivos de empresas do modelo. (Fonte: Vindi)

O próprio desempenho do IPO do Zuora, deu esse sinal para o mercado. Chegou a hora das recorrentes na bolsa. Docusign, Spotify, Survey Monkey e Dropbox abriram capital nos últimos meses e as ações estão indo muito bem, colocando as recorrentes na mira de Wall Street. Cases como a MoviePass e a Adobe também foram amplamente cobertos pelo relatório.

“Os compradores gostam da conveniência de inserir suas informações de conta apenas uma vez. E os comerciantes apreciam a conectividade que atingem com seus clientes quando transações recorrentes são usadas, assim como o fluxo de caixa consistente, que elas criam nessa modalidade. Da mesma forma, os emissores gostam do volume de transações que as recorrentes criam quando os cartões são usados”, comenta um co-autor do relatório.

Os pagamentos recorrentes on-line ou por celular estão crescendo numa frequência grande e está ficando complexo acompanhar a evolução dos tipos de negócios que estão sendo criados, segundo relatório da Research and Markets.

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Adobe é um fenômeno que catapultou os resultados da empresa. (Foto: Livro Recorrência)

Realidades fortes como IOT (internet of things) já usam esse tipo de solução e só tenderá a crescer, mesmo com o impacto grande da GDPR chegando por aí. Compra com um clique também é uma necessidade grande desse tipo de negócio. Grandes varejistas precisarão ter um parceiro importante (PCI Compliance) para viabilizar a melhor experiência do cliente nisso.

Acesse o relatório exclusivo.

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Grana preta no mercado de pagamentos

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adiq

Grana preta para 2019. Pelo menos é isso que o mercado de pagamentos vem sugerindo para o próximo ano.

Com a Cielo caindo cerca de 4% hoje (19/11), especulações e informações não param de circular. Uma delas, que é quente e que foi publicada no Estado de SP, é que a ADIQ (do banco BS2) se prepara para receber um investidor estratégico para ganhar força no mercado.

Payment as a Service

Ainda em pequenos passos estratégicos, a ADIQ vem conectando importantes parceiros de meios de pagamento para se posicionar como um payment as a service de varejistas, marketplaces e até players fortes como a Adyen, por exemplo. Se a estratégia dará certo, não sabemos, mas que a grana preta está vindo, está.

Outro player de pagamento nacional, está fechando uma rodada grande (centenas de milhões) para ampliar a oferta de meios de captura no país.

Não vai ficar fácil para ninguém, nem para os grandes.

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