Sangue: Rede, Safra e Getnet chamam mercado para briga.
Era de se esperar uma briga boa, pós guerra das maquininhas. E veio tão forte, que poderia ilustrar um roteiro de um dos filmes da Marvel. Na última semana as credenciadoras de…

Era de se esperar uma briga boa, pós guerra das maquininhas. E veio tão forte, que poderia ilustrar um roteiro de um dos filmes da Marvel.
Na última semana as credenciadoras de cartões Rede, Getnet e SafraPay abriram as portas do ringue e convidaram todo mercado para uma briga nunca vista antes nesse país.
Agora a guerra é taxa.
Sangue no mercado de cartões
A guerra das credenciadoras de cartões brasileiras, ganha um novo round. Virou "treta", como dizem no popular. E das boas, reforçam os investidores do mercado. Depois de brigarem pelas isenções dos aluguéis das maquininhas, agora as taxas e os custos cobrados pela antecipação, ganham novo momento.
As três adquirentes Rede, Getnet e SafraPay, apoiadas obviamente pela estratégia de banking de Itaú, Santander e Banco Safra, respectivamente, fortalecem a tese que distribuição e um bom fluxo de caixa, vão complicar a vida das novas entrantes.
A líder Cielo, com mais de 40% do mercado, não mostrou as luvas ainda.
Doeu o golpe preparado pelo trio Rede, Getnet e SafraPay. Foto: Michael Katsidis
A primeira porrada veio da Getnet
A adquirente do Santander lançou o primeiro golpe, unificando as taxas de crédito e débito em 2%. E uniformizou os créditos das vendas para os lojistas em apenas 2 dias. Os clientes elegíveis podem aderir ao benefício, nas três versões da maquininha de bolso: SuperGet com chip; SuperGet com chip + wi-fi; e SuperGet com bobina.
O SafraPay já estava batendo forte
A estratégia do Safra em ganhar mercado é clara desde a estréia da empresa: taxa zero por um período e oferta de banking para os clientes. O lema é taxa zero para crédito à vista e taxa zero para parcelamento. O benefício é para quem vende até R$50 mil / mês. O recebimento acontece em apenas 1 dia. Zero de taxa de aluguel da maquininha.
Tiago Leifert virou garoto progaganda.
A Rede aposta na taxa zero de antecipação
A Rede, credenciadora de cartões do Itaú Unibanco, anunciou que vai zerar a taxa de antecipação de pagamentos (recebíveis) aos lojistas que efetuarem vendas à vista pelo cartão de crédito, nas maquininhas fornecidas pela empresa. Os lojistas também podem receber até 2 dias as vendas. O benefício pode ser aderido por clientes (do Itaú) que faturem até R$30 milhões / ano.
Primeiro round refletiu nas bolsas
O mercado chacoalhou, principalmente com a campanha da Rede, que inclusive está sendo investigada pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), por conta de suspeita de venda casada com o Itaú. Segundo as primeiras avaliações, o banco está usando práticas anticompetitivas.
Nesse round, pelo menos três dentes caíram.
O impacto foi grande, especialmente para as empresas do setor, listadas na bolsa. Cielo, PagSeguro e Stone sofreram no último pregão. As ações da Cielo recuaram 7,3% no pregão da B3, em São Paulo. Em Nova York, as ações da Stone perderam 23,7% e as da PagSeguro (empresa do grupo UOL) caíram 9,7%.

O presidente da Stone, Thiago Piau, foi ao canal de investidores e se posicionou sobre o movimento da Rede (leia aqui).
Para o mercado: o que resta é ler os asteriscos de cada campanha e acompanhar os desdobramentos da concorrência. Para as novas entrantes, vale provar que o mercado precisa de solução, não de preço somente.
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