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Meios de Pagamento

O que a Mckinsey quer com a fintechs brasileiras?

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Esta foi a pergunta que fiz quando a Vindi foi convidada para participar no FintechDay, evento criado pela McKinsey, empresa global de consultoria de gestão que atende diversas empresas e governos no mundo. Dividi um papo com com a Viviane Sales, VP de Marketing da Creditas, Frederico Rizzo, CEO da Kria e Nathalia Garcia, diretora jurídica da FoxBit. Quem coordenou esse papo foi o Yran Dias, Sênior Partner da McKinsey.

O evento trouxe diversas discussões do segmento, levantados pela consultoria e evidenciou o momento que estamos passando, especialmente nessa colaboração entre bancos, fintechs e agentes do mercado.

Existem no mundo + de 1.000 fintechs (na América Latina são mais de 500), segundo a consultoria. E a reação dos grandes bancos com esse advento, a mudança de comportamento do consumidor, o relacionamento dos reguladores com o ecossistema, investimentos mudando de rota e aquisição de novos talentos, aqueceu as discussões, especialmente em 2018.

Tendências

O evento começou abordando as principais tendências, capitaneado pelas fintechs, que em sua grande maioria, têm atacado o mercado de meios de pagamentos, trazendo muitas inovações e o crescimento de soluções voltados para o mercado de varejo, no mercado B2C. Foi difícil não citar nas discussões o IPO do PagSeguro, Stone e abertura do mercado de cartões.

As grandes empresas de tecnologia do mundo ganharão dinheiro como fintech.

Além das fintechs, o papo destacou nessas discussões, a criação de ecossistemas, que vão além do banco e do setor financeiro. Leia-se o movimento avassalador de Tencent e Alibaba, que criaram super empresas de pagamentos digitais. “Juntas, as empresas são a maior plataforma de pagamento da China, que com a ajuda do QR Code, ainda desprezado por aqui, concentram 90% de mercado pagamentos digitais por lá. As duas juntas, representam um total de 10% sobre o volume financeiro do país. Impressionante!

 

Este movimento, das grandes empresas de tecnologia “morderem outra parte da pizza” é uma grande tendência no mercado financeiro. Google, Apple, Samsung e Amazon começam a ganhar escala e relevância por conta de aquisição de novos usuários/clientes e abranger mais produtos (financeiros também). Isso vira diferencial claro e acaba sendo uma ótima estratégia para rentabilização e renovação. Uma vez que o mercado carece de boas soluções, taxas e experiência.

Este movimento vem ganhando força no mundo com o Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay. Um bom exemplo: é o movimento interessante de grandes players como a própria Google, que fez recentemente acordo com 4 bancos indianos para oferecer empréstimos instantâneos pré-aprovados via app.

Yran Dias coordena o painel das fintechs no evento FintechDay criado pela McKinsey.

Na América Latina, é o Mercado Livre que chega com uma visão parecida, implementando QR Code na Argentina para ampliar sua carteira digital como um meio de pagamento. E está literalmente criando uma super fintech que vai emprestar dinheiro massivo (já em teste) dentro da plataforma. 

E como os bancos brasileiros estão reagindo?

Estão acompanhando, isso é claro. Tirando Itau (que abocanhou parte da XP) e do Santander (que tomou para si a Getnet), ainda estamos num momento de aproximação por parte dos bancos. Existe muita gente tentando entender que momento é esse.

Existem alguns movimentos e estratégias interessantes por parte dos bancos no Brasil e no mundo. Os bancos tradicionais estão fazendo movimentos de transformação em suas operações atuais, com passos cada vez mais evidentes, porém lentos, de construir soluções realmente transformadoras. Pelo menos, que impactam de fato o usuário.

Alguns dados legais falados durante o evento pela McKinsey:

  • 80% dos bancos digitais possuem algum programa de transformação digital interno;
  • Os bancos estão se conectando também com as comunidades empreendedoras;
  • 34% dos bancos têm algum tipo de parceria com fintech;
  • 24% dos bancos lançaram algum conceito de incubadora ou conexão com startups (exemplo do Itaú com o Cubo);
  • 15% dos bancos possuem algum VC (venture capital) corporativo para investir.

As mudanças já estão acontecendo no mundo e no Brasil. Aqui, o cenário econômico em conjunto com o acesso cada vez maior da internet, vem trazendo ao conhecimento geral, problemas de acesso ao crédito, serviços bancários ainda muito tradicionais e a falta de transparência em tarifas empregadas pelos bancos. Outro ponto importante é que somente 59% das empresas no país tem acesso a crédito bancário, por conta das altas exigências e garantias, mostrando o tamanho do desafio do segmento.

O nível de confiança que os consumidores possuem com os bancos é algo que chama a atenção. O brasileiro não confia no seu banco, sempre acha que tem alguma taxa escondida e enxerga o banco como um mal necessário. Toda pesquisa que você faz com o consumidor, eles estão cada vez mais propensos a experimentar uma experiência bancária com um novo player de tecnologia.

 

Foto: Gallup

Os consumidores estão mais propensos e confortáveis a deixar seu salário em “um Nubank” ou conseguir crédito em uma Startup atualmente. Para ilustrar esta mudança de comportamento do consumidor, Nubank passa a ter mais pesquisas no Google do que MasterCard e Visa num dado levantando recentemente no evento Innovation Pay.

 

Foto: Trends Google

Os bancos estão entendendo que o jogo está mais complicado. Os investimentos e comportamento do investidor estão mais alinhados com uma quebra e renovação de um modelo tradicional. Olhe a tentativa dos bancos em conter essa mudança (vide quadro abaixo).

 

Banco tradicional Iniciativa
Bradesco Next – banco digital
Caixa Econômica Federal Youse – plataforma de vendas de seguros online
Santander SuperDigital – banco digital
Banco Bonsucesso Adiq
Tribanco Única (meios de pagamento)

Ainda existem muitos outros exemplos.

Obviamente, quando o banco se coloca também neste ambiente das fintechs, existem seus desafios. Mas quem tem dinheiro é banco…

Os bancos vão precisar comprar inovação, especialmente através das fintechs.

Hoje a revolução bancária, na minha opinião, está ‘no fazer direito’. Se pensarmos de forma crítica, o Nubank não tem uma grande inovação, mas é um grande e invencível case de experiência do cliente. A grande ideia foi fazer um banco de forma correta e oferecer uma experiência diferente. Digo, incrível. As empresas que olham para o futuro precisam descobrir  qual dor do consumidor elas vão combater. E isso tem muito a ver com propósito, especialmente o do novo consumidor.

Regulamentação

Na visão geral das fintechs do painel, os reguladores  estão cada vez mais abertos e próximos deste movimento de mudança. Afinal, eles precisam entender.

No caso do mercado de crédito, o fato de fintechs não conseguirem operar com licença própria, iguais aos bancos, o desafio de inovar se torna grande. O que gerou claramente um ambiente colaborativo entre fintechs e bancos!

Porém, recentemente o Bacen acabou de liberar duas novas Resoluções nº 4.656 e nº 4.657, que têm por objetivo fomentar a incorporação de inovações no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. Assim como estimular a participação de novas instituições provedoras de crédito.

A primeira é a criação da Sociedade de Crédito Direto (SCD), em que as fintechs oferecem crédito com recursos próprios por meio da plataforma eletrônica. A segunda é a criação Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), conhecida como o principal aliada do peer-to-peer (P2P), em que a instituição serve como “ponte” entre credor e devedor. Nesse caso, o empréstimo é limitado ao máximo de R$ 15 mil por CPF ou CNPJ.

Segundo a ABFintechs, a principal diferença entre as duas modalidades criadas pela nova regulação do Banco Central é que a SCD opera com recursos próprios e não pode captar no mercado, enquanto a SEP liga quem tem recursos para emprestar a quem necessita de crédito – daí o termo peer to peer lending (P2P).

As fintechs são, na prática, intermediárias de operações, em que pessoas aplicam dinheiro de um lado e empresas ou outras pessoas físicas, pegam empréstimos de outro. O peer-to-peer é uma modalidade de crédito que vem crescendo em vários países.

Já no universo de crowdfunding de Investimentos, também chamado de Equity Crowdfunding – recentemente novo no Brasil – a CVM tem atuado em conjunto com o segmento. O Fred, da Kria, citou 3 desafios importantes do segmento:

  • Segurança no registro;
  • Controle dos ativos e organizar um mercado secundário;
  • Conexão com o capital institucional.

“É possível perceber muitas pessoas jovens na CVM querendo fazer acontecer, mesmo demorando na resposta da regulação, ela está próxima, assim como o Banco Central.” Ressaltou o Fred.

A CVM considera, através da instrução CVM 588, que a segurança jurídica trazida com a nova norma pode alavancar a criação de novos negócios de sucesso no país, permitindo a captação de recursos de modo ágil, simplificado e com amplo alcance a investidores por meio do uso da internet.

A pergunta que me fiz foi: se temos tantos investimentos anjos, porque o Equity Crowdfunding ainda não é uma realidade no Brasil como Estados Unidos? Tamanho de mercado? Poder econômico?

A Febraban também teve que alterar suas datas para ajudar o ecossistema a processar o grande volume de pagamentos que transita na rede bancária. Por serem prazos curtos e o mercado brasileiro não estar preparado, diversas vezes, empresas perderam o prazo, fazendo com que o método mais famoso do país (o boleto) gerasse uma experiência ruim para os consumidores e uma grande confusão no setor. 

A ampliação do prazo foi para dar maior tranquilidade para o sistema ajustar-se aos novos valores à medida que forem incorporados, reduzindo os riscos de interrupção durante o processo. Em suma, os reguladores estão olhando fortemente para essa relação, o que é extremamente positivo para o setor como um todo.

Todos reguladores, devem olhar para a atuação do Bacen com meios de pagamento (que está sendo exemplar) e aplicar em outros setores fintech.

O que a Mckinsey quer com as fintechs brasileiras?

Analisando o evento, ficou claro que a McKinsey entende muito a cabeça de bancos tradicionais e de transformação digital, não há dúvidas. Porém, ficou mais evidente, através desta iniciativa, que chegamos em uma época em que as duas pontas precisam estar sentadas na mesma mesa (o novo e o tradicional). As fintechs, os bancos e os reguladores.

Gerente de Estratégia na Vindi. Responsável pela comunicação do portal fintechs.com.br, apaixonado por marketing digital, mordido pela publicidade, metódico, realista, dedicado e pra sempre aprendiz.

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Fintech Chargify adquire plataforma de reconhecimento de venda

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A fintech americana Chargify adquiriu na semana passada a ProRata, uma startup que ajuda em relatórios de reconhecimento de receita e análise de faturamento.

A ProRata, fundada em 2014, em Atlanta, é uma empresa que ajuda na conciliação de receitas provenientes de empresas com modelos recorrentes. Esse é o casamento perfeito para empresas de software no mercado americano, que depois de mudanças na lei de impostos por lá, o reconhecimento e comprovação de receita se tornou grande desafio. Desde 2017, para estarem em acordo com a receita federal americana (IRS), as empresas precisam estar aderentes com as normas ASC 606, que regulamenta a questão fiscal de empresas de tecnologia.

A união das soluções Chargify + ProRata pode ser muito bem comparadas por aqui no Brasil, como cobrança + conciliação dos recebíveis (que sistemas de conciliação fazem).

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Pagamentos recorrentes vão atingir R$1,8 trilhões em 2021.

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Chegou a hora da Economia da Recorrência, segundo relatório de consultoria americana Research and Markets.

O relatório, publicado nessa semana, prevê que as transações recorrentes, processadas em cartões de débito e crédito nos Estados Unidos, atingirão U$ 473 bilhões até 2021. Cerca de R$1,8 trilhões! Uma transação de cartão recorrente é aquela em que as credenciais de pagamento são armazenadas com um comerciante/provedor para uso futuro. Isso existe para permitir pagamentos recorrentes de faturas, facilidade no checkout rápido em um site/app ou pagar por uma assinatura, planos e mensalidades.

O relatório, nomeado de “Mercado Americano de Pagamentos Recorrentes 2017-2021”, prevê uma aceleração nesse tipo de processamento para os próximos anos.

Só a Amazon, processou cerca de U$7 bilhões de cobranças recorrentes do seu Amazon Prime, serviço de assinatura exclusivo da empresa. E isso é um dos principais ativos da empresa, que espera crescer 50% no serviço no próximo ano. Esse tipo de solução de cobrança (também chamado de pagamentos recorrentes) é essencial para serviços como software (SaaS), serviços de streaming, clubes de assinatura e toda empresa que possui um modelo de cobrança recorrente na venda. Apesar do relatório ser um grande instrumento para analisar mercado americano, dá um bom gosto do que podemos ver em outros mercados.

A Economia da Recorrência na mira de Wall Street

No nosso estudo “A economia que transformou empresas como Netflix, Slack, Smartfit e Sem Parar” (clique para ler), fizemos bastante pesquisas para analisar essa realidade das empresas SaaS e assinaturas no mundo e no Brasil. Esse estudo até aqui, é o maior já feito sobre a Economia da Recorrência no mundo.

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Relatório da Vindi contempla dados exclusivos de empresas do modelo. (Fonte: Vindi)

O próprio desempenho do IPO do Zuora, deu esse sinal para o mercado. Chegou a hora das recorrentes na bolsa. Docusign, Spotify, Survey Monkey e Dropbox abriram capital nos últimos meses e as ações estão indo muito bem, colocando as recorrentes na mira de Wall Street. Cases como a MoviePass e a Adobe também foram amplamente cobertos pelo relatório.

“Os compradores gostam da conveniência de inserir suas informações de conta apenas uma vez. E os comerciantes apreciam a conectividade que atingem com seus clientes quando transações recorrentes são usadas, assim como o fluxo de caixa consistente, que elas criam nessa modalidade. Da mesma forma, os emissores gostam do volume de transações que as recorrentes criam quando os cartões são usados”, comenta um co-autor do relatório.

Os pagamentos recorrentes on-line ou por celular estão crescendo numa frequência grande e está ficando complexo acompanhar a evolução dos tipos de negócios que estão sendo criados, segundo relatório da Research and Markets.

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Adobe é um fenômeno que catapultou os resultados da empresa. (Foto: Livro Recorrência)

Realidades fortes como IOT (internet of things) já usam esse tipo de solução e só tenderá a crescer, mesmo com o impacto grande da GDPR chegando por aí. Compra com um clique também é uma necessidade grande desse tipo de negócio. Grandes varejistas precisarão ter um parceiro importante (PCI Compliance) para viabilizar a melhor experiência do cliente nisso.

Acesse o relatório exclusivo.

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Grana preta no mercado de pagamentos

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Grana preta para 2019. Pelo menos é isso que o mercado de pagamentos vem sugerindo para o próximo ano.

Com a Cielo caindo cerca de 4% hoje (19/11), especulações e informações não param de circular. Uma delas, que é quente e que foi publicada no Estado de SP, é que a ADIQ (do banco BS2) se prepara para receber um investidor estratégico para ganhar força no mercado.

Payment as a Service

Ainda em pequenos passos estratégicos, a ADIQ vem conectando importantes parceiros de meios de pagamento para se posicionar como um payment as a service de varejistas, marketplaces e até players fortes como a Adyen, por exemplo. Se a estratégia dará certo, não sabemos, mas que a grana preta está vindo, está.

Outro player de pagamento nacional, está fechando uma rodada grande (centenas de milhões) para ampliar a oferta de meios de captura no país.

Não vai ficar fácil para ninguém, nem para os grandes.

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